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Visita à uma família tradicional
Estou no meio do interior de Rio Grande do Sul, perto de São José dos Ausentes.
Nessa incrível aventura conheci o Chico e Nilda! Eles são um casal como antigamente. Em gravação da próxima temporada do #DiárioDoOlivier, chegamos de noite na casa deles para dormir. O pouso rendeu muito mais que um descanso! Para mim está sendo um banho de nostalgia de valores familiares que hoje em dia estão desaparecidos.

É com muito alegria que estou compartilhando essa fotografia com o casal, sentado no sofá de frente ao painel de fotos, que representa os antepassados de seis gerações atrás. Inacreditável!!!!
Nesta casa tem um cheiro fortíssimo de felicidade.
Acordei feliz… Ainda existe família…..
#CAPÍTULO 7 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER
Terminei o meu segundo ano de primário em Boissy le Chatel, após dois anos vivido no campo na casa da minha avó. Minha mãe se cansou dos cavalos, do isolamento do campo, da distância com o meu pai. O ano era de 1968 quando eles decidiram mudar novamente de vida e voltamos a morar em Paris, em um apartamento de 300m² de um prédio no 44 rue Caulaincourt em Montmartre.
Para mim, em particular, era o início da jornada escolar em internato de jesuíta. Fiquei longos anos distante da minha família. Uma solidão que cultivou em mim o sentido de independência e autonomia. Tomei consciência muito cedo que somos Um no meio de muitos, desenvolvendo o instinto de sobrevivência e contra as nossas atitudes, para absorver os confrontos da vida em sociedade. Amadureci e me endureci. Quando nas férias voltava para casa dos meus pais e irmãos em Paris, percebia que eu vivia coisas diferentes, eu era diferente! Ouvia mais do que falava, era muito curioso e atento. A distância e ausência da minha família durante mais da metade do ano me ensinou a pensar sozinho.
Todo ano a ceia de Natal acontecia na casa da família, em Champauger – que por hora tinha virado minha casa de fim de semana, uma residência secundária. Por ser uma data festiva, o astral estava geralmente bom e, neste Natal de 1973, a minha tia Nicole e meus três primos marcaram presença na confraternização, um acontecimento raro. O meu tio Jacques era cônsul da França, hora estava no Panamá, hora em Tombuctu, hora na Bulgária ou em Theerá. Distanciamento profissional que explica a excepcionalidade desse Natal.

A felicidade redobrou por minhas primas Isabela e Françoise e meu priminho Laurent de cinco anos estarem juntos conosco. Isabelle, como eu, era primogênita e tinha a mesma idade, 13 anos, quando a segunda Françoise tinha 10 anos, como o meu irmão Loïc… vocês podem ver melhor nas fotos!
Lá fora os campos estavam cobertos de neves e passávamos a maior parte do dia brincando na imensidão da campanha e da floresta, como fizeram os meus filhos ainda pouco tempo atrás, na nossa casa na serra da Bocaina… mas claro, sem neve.
Após o almoço, saíamos novamente como grandes aventureiros para abrir caminhos na neve virgem do manto branco dos pastos ao redor da casa. Como tradicionalmente na Europa, no inverno, a noite caia muito cedo, no meio da tarde. Quando a gente ouvia o grito dos corvos planeando para o último voo e se desenhando, majestosos e preto, em contrate no céu carregado e branco e quando a luminosidade do dia caia a ponto de poder perceber a pontinha da lâmpada da porta da cozinha da nossa casa, sabíamos que era hora de voltar.
De pé e com as mãos congeladas, mas feliz, nós tomávamos banhos todos juntos, em um chuveiro generoso e bem quente.
Até chegar a hora do jantar, ficávamos de pijama e na sala, de frente para lareira acesa, jogávamos legendárias partida de “Monopoly” e de “Tarro”, um jogo de baralho tipicamente francês.
Os adultos estavam todos ao lado, na cozinha, preparando a ceia: ostras, foix gras, salmão defumado, peru, torta de maçã, lebre no vinho tinto… só coisas deliciosas. Era uma fartura! Meu pai estava em plena ascensão profissional.
Na ocasião, minha mãe tinha trazido de Paris um disco que ela ganhou semana antes para seu aniversário no dia 12 de Dezembro. Gostou tanto que o levou para Champauger para esse Natal. Gostei também. Tanto que foi a primeira vez que eu me lembro de ter colocado um disco na vitrola e escolher uma faixa sozinho, sem perguntar.
Introvertido, eu me instalava no tapete, no meio das almofadas, bem pertinho da caixa de som. Deitado na barriga, com o queixo encaixado na palma das minhas mãos com apoio nos cotovelos, eu escutava “Dark Size Of The Moon” dos PinkFloyd, em particular a faixa “Money”. Achava sensacional o barulho da caixa registradora virar um som de uma composição musical. Da hora!
Acredito que já nessa época, eu estava claramente sensível a teclados e órgão de todo tipo em particular. O álbum que saiu em 1973 dos Pinkfloyd era extraordinário, como ele continua sendo hoje para a galera jovem e moderna – meu filho de 17 anos por exemplo.
Provavelmente a mais emocionante interpretação de rock-psicodelico, desde da existência do órgão sintetizado. Até hoje, quando ouço “Dark Size Of The Moon” sinto esse bem estar, essa felicidade e as efluas cheirosas da ceia de Natal.
Deixo você gozarem desta composição antológica do álbum Dark Side of the Moon: “Money”
#CAPÍTULO 6 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER
Com sete anos, idade da razão e momento em que os anos são vividos com a intensidade de uma década, minha avó Christiane, mãe da minha mãe, faleceu e nos deixou sua casa como herança juntamente com minha bisavó Julia Cordellier.
Ao invés de trazer minha bisavó para nossa casa em Livry Gargand, nossa casa burguesa, minha mãe achou melhor que todo mundo migrasse para lá. A casa foi construída há três gerações, pelo meu tataravô. Ela ficava no meio dos campos de trigo, das florestas de carvalhos e aveleiras da região Brie (origem do queijo Brie), em Champauger, um pequeno distrito de 500 habitantes do município de Boissy Le Chatel, vilarejo onde eu e meu irmão Loic frequentamos a escola durante dos dois primeiros anos do primário.
A vida no campo foi maravilhosa e muito enriquecedora, inclusive pela convivência com minha bisavó, uma velhinha toda enrugada e magra, de cabelos sempre presos em um lenço de pano cinza claro, e vestida com saia de camponesas medievais coberta por um avental de pescoço preto ou azul marinho.
Ficamos lá durante dois anos. A propriedade era grande e minha bisavó cuidava da horta e do pomar com a mesma roupa que ela cozinhava, almoçava e jantava…rsrs Suas características eram muito do campo. Ela havia nascido nessa casa em 1893 e tinha 73 anos de idade quando fomos morar com ela, em 1966.
Dura e severa, ela gostava muito de mim por ser o primeiro bisneto. Ela me ensinou muitas coisas, inclusive a ler hora no relógio. Eu dormia toda noite na cama dela, até ela falecer, no hospital, quase um ano após termos invadido a casa.
Como nossa vida já estava organizada há quase um ano em Champauger, acabamos ficando por lá. Esses anos foram os únicos que vivi realmente em família, apesar do meu pai estar presente só aos finais de semana. Sua realidade profissional estava em Paris e arredores.

Enquanto isso, após a descoberta do seu dom por pintar em Livry Gardand, a minha mãe se apaixonou por cavalos. Naquela época, nós chegamos a ter oito cavalos na propriedade. Consequência desse mimo: em dias que não íamos à escola, éramos condenados a montar a cavalo para que todos pudessem, uma vez por semana, dar uma volta na campanha. A verdade é que nos primeiros meses era muito legal, mas depois virou uma chatice.
Vivíamos como camponeses nativos, todos os dias, hiberno nevoso e primavera com macieiras em flores. Íamos caminhando para a escola e percorríamos um trajeto de três quilômetros de campos de trigos arados, pastos e estrada.
Foi lá que eu e meu irmão Loic nos familiarizamos com a cozinha e o ato de cozinhar. Meu pai adorava cozinhar e, todo domingo, ele mesmo preparava o tradicional almoço dominical. A mão de obra pra descascar as batatas, o alho, sacar o feijão e as ervilhas das vagens era nosso. Um saco! Mas foi assim que nós adquirimos a intimidade e o prazer de cozinhar, uma herança do meu falecido pai.
As caixas de som Keff Coral e o toca-discos Thorens saíram do atelier de Livry Gargand, acompanharam a gente na mudança e foram instalados no nicho embaixo da escada que da cozinha, dava acesso aos quartos do segundo andar. Os 10 primeiros degraus faziam a divisória do fundo da sala de estar com a cozinha. Meus pais aproveitaram para arrumar esse canto confortavelmente com tapetes e almofadas do antigo atelier da minha mãe. Uma das paredes era a porta dupla de pequenos vidros quadrados que dava para o jardim e o gramado, que durante o verão ficava toda aberta. Dentro do nicho, embaixo da escada, em uma prateleira, foi instalado a vitrola e os discos e áudio K7. De baixo, no chão mesmo, estavam armazenados um tapete de pote de geleia.
Aos finais de semanas e nas férias de verão, em julho e agosto, os amigos parisienses dos meus pais vinham passar alguns dias conosco e montavam a cavalo. Anos felizes! No verão, o pomar dava muitos marmelos e ameixas, que pegávamos e minha mãe transformava em geleias maravilhosas. Ainda é nítido a lembrança da gente comendo de colher a espuma da geleia que minha mãe tirava de cima com uma grande espumadeira de cobre. Nossos dedos grudavam nas mãos.
Éramos felizes e a forte lembrança das músicas que ouvíamos nesses momentos eram eruditas. Sinfonias, óperas e principalmente concertos de piano de Mozart tocavam bem alto para que os convidados dos meus pais pudessem ouvir enquanto estavam do lado de fora, na sombra de um chorão, deitados na grama jogando scrabble, tomando vinho branco. Meu pai fumando Craven e minha mãe Gitane.
Foi a partir desses momentos de felicidade e união familiar que se imprimiu em mim o prazer em ouvir musica clássica.
Em memória desses tempos, escolhi o concerto por piano de Mozart #21 e #9. De chorar… e, para quem quer iniciar uma imersão nesse mundo maravilhoso da musica clássica, é um ótimo começo. Peguem um tempo de sossego e ouçam essa interpretação primorosa de Murray Perahia. Ouçam interinho.
Não deixam de ver e ouvir essa interpretação da japonesa Aimi Kobayashi. Comovente.
dia nacional da fotografia

A fotografia é uma paixão que herdei de meu pai. Costumo dizer que não segui os passos de meu pai na medicina, como ele desejava, mas em compensação abracei suas duas paixões: gastronomia e fotografia. Onde quer que eu esteja, tenho sempre comigo uma máquina. Fazer fotos me ajuda a compreender e apreciar a vida. Gosto de registrar momentos, sentimentos e lugares!
No dia Nacional da Fotografia, compartilho com vocês esse belo retrato do meu filho Hugo ajustando a mira comigo e, ao lado, fotos do meu pai François em 1971!
À Francesa
2015 :: Como receber os amigos em casa. Revista Claudia.





#CAPÍTULO 5 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER
Primeiro post do ano, depois de momentos incríveis junto a família, continuo a minha história musical…
O meu pai começou a se estabilizar financeiramente e nós já morávamos na nossa primeira casa. Meu pai havia comprado uma grande casa burguesa do início do século XX. Ela ficava em Livry Gargan, Allée des Charmilles, periferia residencial de classe média, cerca de 10 minutos de carro do centro de Paris.
Tínhamos de fato uma pequena propriedade, com direito a grandes áreas de gramas verdes e generosos cercados de arbustos que davam todos os anos, em setembro, deliciosas peras William. No fundo do terreno tinha até um pequeno bosque, onde meu irmão e eu tomamos como nosso território de jogo para construir nossas cabanas e engajar furiosas guerras entre índios e cowboys, como nos filmes em preto e branco que assistíamos na TV aos domingos.
Na propriedade tinha um galinheiro, alguns patos, um casal de cachorrinhos Fox terrier pretos – Nenes e Ortanse e um jovem gato muito elegante de pelo sedoso e preto como ébano que eu tinha batizado de Lucifer após ter encontrado-o no terreno abandonado atrás de casa.

Meu pai dirigia um Mini Cooper e minha mãe uma triumph TR4 conversível. Ela também tirou habilitação para dirigir motos, para poder pegar a moto BMW preta do meu pai. Íamos de férias todos os anos para ilha da Corsica em Propriano.
A casa era tão ampla que minha mãe, tendo desenvolvido um dom na arte de pintar, instalou em um anexo colado a casa grande um atelier de pintura como no cinema: grandes cavaletes com telas em fase de criação; grandes e pequenas encostadas nas paredes; tapetes da Pérsia que se esticavam no chão de lajotinhas de barro vermelhas. Por cima, grandes almofadas de veludo e duas poltronas de couro marrom. De cada lado, duas caixas de som inglesas Keff Coral pulsadas por um amplificador e um toca-discos Torentz.
Minha mãe pintava escutando diversos artistas e músicas da época. Entre eles: Carlos Santana, o álbum Abraxas que o revelou de forma definitiva ao mundo.
Escolhi a faixa “Black Magic Woman” desse álbum, porque fazia parte da coleção da minha mãe e é o mais lembrado por mim.
Também acredito que ele encabeça muito bem o estilo dele no final do anos 70.
Se divirtam:
Um Feliz ano!
Este ano foi marcado de grandes acontecimentos, de Janeiro até Dezembro vivi 2014 com o conteúdo de uma década.
O ano começou comgravação do #DiáriodoOlivier de Santiago do Chile até Ushuaia, voltei em março para gravar #CozinheirosemAção, o grande sucesso de audiência da TV por assinatura no #GNT . Logo após a Copa do Mundo, abri a minha segunda casa,o bistro L’Entrecôte D’ Olivier, na Alameda Lorena no Jardins, em São Paulo, inclusive aproveito para agradecer os meus sócios que seguraram a barra durante as minhas viagens, e de Outubro até 4 dias antes do Natal gravei os 7 primeiros episódios da temporada 2015 do Diário do Olivier. Destino, o Brasil exuberante, uma viagem de moto desbravando e descobrindo serras deslumbrantes, encontrando e convivendo com brasileiros apaixonantes, cozinhando em lugares improváveis.
Só para contrariar quem pensa que o extraordinário é só lá fora. E olha que já rodei mais de 12 anos com o meu Fusca pelas estradas e caminhos remotos do Brasil; conheço muito e mesmo assim, até hoje consigo descobrir um país emocionante de uma beleza estonteante, tesouros escondidos preservados com muito amor e consciência por um povo cheio de história, transbordado de generosidade e solidariedade. Se preparem, apertem o cinto, a temporada 2015 vem forte.
Para poder fazer tudo isso, dependo de muita gente que me acompanha, alguns a muitos anos outros a alguns meses mais todos participaram da construção desse ano de sucesso e a todos quero agradecer com a mesma intensidade e sinceridade. OBRIGADO!

Sem vocês não sou ninguém e conto com todos para que 2015 se construa com a mesma energia.
Essa foto foi tirada no dia da final do Cozinheiros em Ação. Um gesto festivo e comemorativo que ilustra perfeitamente o que desejo para todos vocês: saúde, família, amigos, trabalho e realização dos seus sonhos.
Vamos abrir os braços a mais um ano edificando nossas vidas.
Até o ano que vem!
#CAPÍTULO 4 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER
Bom, após algumas semanas apresentando minhas origens e lembranças do meu primeiro contato com a música, temos aí todos os ingredientes necessários para nossa receita. O cenário está plantado e iniciaremos a história com o primeiro disco que marcou a minha memória.

Considero que esse disco foi o marco das minhas escolhas musicais, sua evolução ao longo do tempo e a presença de um instrumento que até hoje rege a minha sensibilidade e gosto, independente dos estilos e categorias musicais.
No álbum Streetnoise, o extraordinário organista jazz-R&B-rock inglês Brian Auger se junta mais uma vez com a maravilhosa psicodelica-prog-rock cantora branca e também inglesa Julie Driscol. Os dois músicos formaram uma dupla de impacto muito grande no cenário do rock europeu dos anos 60. Uma qualidade musical excepcional e emocionante! O casamento da voz límpida e cheia de personalidade da Julie Driscol ao som do órgão de Brian Auger. Anos depois, com 15 anos, eu tinha os melhores vinis de Brian Auger e da banda The Steam Packet que ele formou com Julie, Long John Baldry e Rod Stewart.
Todas essas referências musicais eu conservei em minha vida e me acompanham até hoje, dando o privilégio de poder viajar no tempo da minha história seguindo o caminho da música.
É claro que nessa idade eu não tinha noção musical, apenas ouvia as músicas. Só com 15 anos de idade que eu realmente comecei a ter consciência da construção do meu repertório musical e até hoje em dia me surpreendo escutando-os e entendendo o quanto eles me influenciaram.
Aproveitem e escutem aos discos! Desejo que vocês conheçam essas músicas porque merecem, antes de tudo, uma altíssima consideração artística. Achei simpático marcar o tempo com a música. Vejam as imagens desses artistas em apresentações de época no link.
#CAPÍTULO 3 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER
A minha iniciação musical partiu do gosto musical da minha mãe. Suas influências contribuíram nas minhas escolhas e no cruzamento das diversas tendências musicais modernas que eu acompanhei, amei e cultivo até hoje.
Do lado do meu pai herdei o clássico. Seu próprio pai, meu avô, ganhou a vida tocando violino – um pequeno detalhe que arraigou profundamente esse gênero musical na minha família. Foi então, a partir dessa influencia, que meu pai introduziu de maneira natural a musical clássica e erudita na família que ele construiu.
Todos os vinis desse tipo eram comprados por meu pai e 60% das músicas que ouvíamos em casa eram concertos, sinfonias, sonatas ou óperas. 30% eram um mix de cantores e cantoras contemporâneas francesas como Jacques Brel, Yves Montand, Georges Brassens (para meu pai) e Anne Sylvestre ou Barbara para minha mãe. Já os últimos 10% eram de músicas diferentes que minha mãe ganhava de seus amigos. Era unicamente com eles que esses vinis tocavam em casa! Ela tinha muitos amigos que vinham para casa e costumavam se reunir no atelier de pintura dela. Raramente eu e meu irmão ficávamos juntos com os adultos, mas como de costume o som era muito alto – um marco da família – e as melodias acabavam nos inundando, como contarei adiante nas próximas semanas.
Uma coisa clara é que por mais que meus pais tivessem uma identidade musical de origem diferente, cada um se deixou levar para o território do outro e, anos depois, consegui analisar a deriva do meu pai por cantores e compositores anglo-saxônicos como Joan Bez e Leonard Cohen e ao contrário também, minha mãe até hoje não vive sem ouvir música clássica.
Não sei se vocês notaram mais existe um gênero musical que não mencionei nenhuma vez, desde que iniciei com essa ideia de contar minha história musical. Pois é, falo do Jazz!
Por incrível que pareça, não tenho absolutamente nenhuma lembrança desse estilo musical. O jazz não existia em casa e não conheço nenhuma razão para explicar isso. Simplesmente meus pais não tinha afinidade com o som. O jazz apareceu em minha vida muito tarde, depois da minha longa fase de descoberta do Rock, do Soul, do Funk e do R&B. Já tinha passado dos meus 25 anos de idade, graças ao cinema e em particular ao já antigo filme francês de “Ascenceur por l’échafaude”, cuja trilha sonora foi executada por Miles Davis apresentado ao diretor Louis Males, pelo escritos e também jazzista francês Boris Vian em 1958.

Esse filme permitiu que Miles Davis fosse conhecido em Paris, dando início à uma relação de amor muito forte com essa cidade.
Hoje, quero que apreciem esse clássico do álbum King Of Blue “All Blues”!

