#CAPÍTULO 3 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER

Voltar

A minha iniciação musical partiu do gosto musical da minha mãe. Suas influências contribuíram nas minhas escolhas e no cruzamento das diversas tendências musicais modernas que eu acompanhei, amei e cultivo até hoje.

Do lado do meu pai herdei o clássico. Seu próprio pai, meu avô, ganhou a vida tocando violino – um pequeno detalhe que arraigou profundamente esse gênero musical na minha família. Foi então, a partir dessa influencia, que meu pai introduziu de maneira natural a musical clássica e erudita na família que ele construiu.

Todos os vinis desse tipo eram comprados por meu pai e 60% das músicas que ouvíamos em casa eram concertos, sinfonias, sonatas ou óperas. 30% eram um mix de cantores e cantoras contemporâneas francesas como Jacques Brel, Yves Montand, Georges Brassens (para meu pai) e Anne Sylvestre ou Barbara para minha mãe. Já os últimos 10% eram de músicas diferentes que minha mãe ganhava de seus amigos. Era unicamente com eles que esses vinis tocavam em casa! Ela tinha muitos amigos que vinham para casa e costumavam se reunir no atelier de pintura dela. Raramente eu e meu irmão ficávamos juntos com os adultos, mas como de costume o som era muito alto – um marco da família – e as melodias acabavam nos inundando, como contarei adiante nas próximas semanas.

Uma coisa clara é que por mais que meus pais tivessem uma identidade musical de origem diferente, cada um se deixou levar para o território do outro e, anos depois, consegui analisar a deriva do meu pai por cantores e compositores anglo-saxônicos como Joan Bez e Leonard Cohen e ao contrário também, minha mãe até hoje não vive sem ouvir música clássica.

Não sei se vocês notaram mais existe um gênero musical que não mencionei nenhuma vez, desde que iniciei com essa ideia de contar minha história musical. Pois é, falo do Jazz!

Por incrível que pareça, não tenho absolutamente nenhuma lembrança desse estilo musical. O jazz não existia em casa e não conheço nenhuma razão para explicar isso. Simplesmente meus pais não tinha afinidade com o som. O jazz apareceu em minha vida muito tarde, depois da minha longa fase de descoberta do Rock, do Soul, do Funk e do R&B. Já tinha passado dos meus 25 anos de idade, graças ao cinema e em particular ao já antigo filme francês de “Ascenceur por l’échafaude”, cuja trilha sonora foi executada por Miles Davis apresentado ao diretor Louis Males, pelo escritos e também jazzista francês Boris Vian em 1958.

Miles

Esse filme permitiu que Miles Davis fosse conhecido em Paris, dando início à uma relação de amor muito forte com essa cidade.
Hoje, quero que apreciem esse clássico do álbum King Of Blue “All Blues”!

Comentários