#CAPÍTULO 5 – OS DISCOS NA HISTÓRIA DO OLIVIER

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Primeiro post do ano, depois de momentos incríveis junto a família, continuo a minha história musical…
O meu pai começou a se estabilizar financeiramente e nós já morávamos na nossa primeira casa. Meu pai havia comprado uma grande casa burguesa do início do século XX. Ela ficava em Livry Gargan, Allée des Charmilles, periferia residencial de classe média, cerca de 10 minutos de carro do centro de Paris.

Tínhamos de fato uma pequena propriedade, com direito a grandes áreas de gramas verdes e generosos cercados de arbustos que davam todos os anos, em setembro, deliciosas peras William. No fundo do terreno tinha até um pequeno bosque, onde meu irmão e eu tomamos como nosso território de jogo para construir nossas cabanas e engajar furiosas guerras entre índios e cowboys, como nos filmes em preto e branco que assistíamos na TV aos domingos.

Na propriedade tinha um galinheiro, alguns patos, um casal de cachorrinhos Fox terrier pretos – Nenes e Ortanse e um jovem gato muito elegante de pelo sedoso e preto como ébano que eu tinha batizado de Lucifer após ter encontrado-o no terreno abandonado atrás de casa.

cap 5

Meu pai dirigia um Mini Cooper e minha mãe uma triumph TR4 conversível. Ela também tirou habilitação para dirigir motos, para poder pegar a moto BMW preta do meu pai. Íamos de férias todos os anos para ilha da Corsica em Propriano.

A casa era tão ampla que minha mãe, tendo desenvolvido um dom na arte de pintar, instalou em um anexo colado a casa grande um atelier de pintura como no cinema: grandes cavaletes com telas em fase de criação; grandes e pequenas encostadas nas paredes; tapetes da Pérsia que se esticavam no chão de lajotinhas de barro vermelhas. Por cima, grandes almofadas de veludo e duas poltronas de couro marrom. De cada lado, duas caixas de som inglesas Keff Coral pulsadas por um amplificador e um toca-discos Torentz.
Minha mãe pintava escutando diversos artistas e músicas da época. Entre eles: Carlos Santana, o álbum Abraxas que o revelou de forma definitiva ao mundo.

Escolhi a faixa “Black Magic Woman” desse álbum, porque fazia parte da coleção da minha mãe e é o mais lembrado por mim.

Também acredito que ele encabeça muito bem o estilo dele no final do anos 70.
Se divirtam:

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