Sérgio Cezar, o arquiteto do papelão
Negro de família humilde carioca, Sérgio já passou maus bocados na vida. Filho de porteiro e empregada doméstica, ele começou a transformar sucata ainda moleque. Com o tempo, desenvolveu uma técnica toda especial que hoje encanta muita gente. Eu, particularmente, fico surpreso. Sérgio revela poesia e brasilidade, além de originalidade e talento.
A matéria-prima de suas instalações e esculturas é o lixo. De entulhos e sucatas, ele é capaz de reconstruir artisticamente casinhas, sobrados, bares, cortiços, morros inteiros. Suas obras ricas em detalhes contam histórias, revelam o que muitas vezes nossos olhos já não podem ver. As esculturas são vivas, iluminadas, com vozes. Por meio de suas miniaturas, vi um Brasil que não conhecia e, ao mesmo tempo, não podia negar. Pura transformação. Suas maquetes respiram a poesia, a alegria e a simplicidade da essência brasileira.
Há vinte anos, Sérgio trata de questões como meio ambiente e inclusão social. Em 1998, criou a ONG Recuperar-te com o objetivo de desenvolver projetos de inclusão social. Lá, Sérgio dá cursos de artesanato para crianças e jovens de comunidades carentes. Desenvolve projetos em que visa a construção de autonomia dos jovens, da auto-estima e expressão, auto-conhecimento e, principalmente, de educação.
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