Jorge Luis Alvarez Pupo Fotografia da sombra e da alma Conheci Jorge Luis Alvarez Pupo em 2003, durante uma viagem a Havana, por meio de uma amiga. Logo de cara, nossa paixão pela fotografia nos aproximou e nos tornamos amigos.
Casado com uma brasileira, Pupo mora no Brasil há poucos meses e já apresenta aos paulistanos seu trabalho. De 20 de novembro a 5 de março de 2006, a exposição Invoke Ogun fica em cartaz na Pinacoteca do Estado de São Paulo – um trabalho sobre as danças nos rituais e cerimônias Vodu.
Por isso tudo, resolvi contar aqui um pouco de sua história, além de mostrar algumas de suas obras.
“Trabalho sobre a base das sensações ou trocas espirituais do ser humano. Utilizo sombras como reflexos de trocas existenciais que acontecem no interior do homem, em sua consciência, onde confluem e pulsam os pensamentos, as inseguranças, os impulsos, as esperanças”. Assim, este cubano, nascido em Havana em 1970, explica seu trabalho.
Pupo tornou-se fotógrafo por acaso. Foi durante umas férias, em 1992, quando o então tradutor pegou uma câmera emprestada de um amigo para registrar a viagem. As fotos ficaram tão boas que seu chefe, ao ver o material, propôs na hora que Pupo mudasse de posição na revista onde trabalhava. E foi assim que o tradutor tornou-se fotógrafo.
Mergulhado na nova profissão, Pupo iniciou sua aventura também no mundo das fotos artísticas, paralelamente aos trabalhos como freelancer para jornais e revistas da capital cubana. A nova carreira tomou outros rumos quando um amigo sugeriu que ele deveria explorar suas raízes.
A primeira oportunidade de aproximação com esse universo foi durante um festival de raízes africanas, em 1998, dedicado a Angola. O único fotógrafo a registrar as celebrações, Pupo centrou foco nas religiões e em seus rituais, alguns dos quais familiares a ele.
A partir deste trabalho, a idéia de fazer um livro tomou forma. Nem antropológico nem documental, o livro Trance (ed. Perceval Press, março 2003) tem ênfase na linguagem corporal, nas danças e na religião vodu.
Seguindo por esta vereda, em 2000, Pupo teve sua primeira (e já individual) exposição Raíces , na Casa de África, em Havana. A mostra abriu novas janelas para o fotógrafo, inclusive fora de Cuba, em países como França e Alemanha. Com sua abordagem de alto teor dramático das religiões africanas – pouco registradas pela fotografia –, o artista foi bem aceito pelo público e pela crítica.
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